sexta-feira, 2 de novembro de 2012

De novo!

O artigo Ler livros pela segunda vez pode ser terapêutico da Revista Galileu trata de uma pesquisa liderada por Cristel Russel, professor da American University (EUA) para identificar as razões para quem lê o mesmo livro ou assiste ao mesmo filme mais de uma vez, o que foi chamado de “re-consumo” de material.

Segundo a pesquisa, este comportamento reflete um esforço consciente para encontrar camadas de significado mais profundas e refletir sobre o próprio amadurecimento. E assim, o re-consumo pode poderia até mesmo servir como uma espécie de terapia, pois permite uma análise de como sua interpretação do livro ou filme mudou com o decorrer do tempo. Para os cientistas, isso pode servir de contraste entre o eu atual e o eu do passado (isso me lembra De Volta para o Futuro, que aliás eu assisti umas 1000 vezes...).

O resultado da pesquisa, publicada na revista Journal of Consumer Research, pode ser usado pelo mercado de livros. Segundo Russel, os vendedores sempre tentam trazer experiências novas e frescas, mas as velhas experiências também podem ser repetidas de modo a abrir novas perspectivas.

E o melhor é que agora eu tenho uma ótima desculpa para rever todos os aqueles filmes que eu já sei até as falas decor (como Indiana Jones, por exemplo) e ler mais uma vezinha os livros que eu mais adoro (como Linha do Tempo do Michael Crichton).

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Feirinha de Adoção


Ferrez

Eu não conhecia este autor e gostei bastante...

EU QUERIA TER E SER

Eu queria ter tipo um campo pra jogar com todos meus amigos.
Eu queria ter tipo uma vida menos corrida.
Eu queria ter uma vida menos confusa.
Eu queria acordar vendo uma cachoeira todo dia.
Eu queria poder tomar banho nela quando quisesse.
Eu queria poder parar de procurar o amor.
Eu queria poder dormir abraçadinho com alguém.
Eu queria poder morar dentro daquela música do John Lennon.
Eu queria poder abrir a janela e olhar grandes montanhas forradas de verde.
Eu queria poder dizer que sou feliz.
Eu queria poder dar aula numa escolinha no interior, pra um monte de criança inocente.
Eu queria ter tipo uma mensagem que fizesse as pessoas desistirem de carrões, de grandes sonhos de consumo.
Eu queria ter tipo o poder de convencer que as pequenas coisas são as mais gostosas.
Eu queria ser tipo mais compreensivo.
Eu queria ser tipo mais amigo.
Eu queria ser tipo um morador de uma casinha dentro de um cenário qualquer.
Eu queria ser tipo um menino brincando de Falcon novamente.
Eu queria acordar só mais um dia vendo meu pai e minha mãe juntos.
Eu queria poder dizer a eles que estou indo bem na escola da vida.
Eu queria ter participado mais da vida familiar.
Eu queria ter podido dar mais condições a eles.
Eu queria poder trocar o que conquistei por um único olhar daquela menina.
Eu queria que minhas poesias a conquistassem.
Eu queria que pessoas como o Renato e o Cazuza tivessem tido o que tanto cantavam, o amor.
Eu queria ter conhecido o Plínio Marcos, o João Antônio, o Raul Seixas e o Chico Science.
Eu queria estar escrevendo o que eu queria ter um dia.
Eu queria ter nascido num cenário do Star Wars.
Eu queria ter conhecido a Emilia e o Visconde.
Eu queria ter um poço de pesca pra mim e pros meus amigos.
Eu queria ter tipo uma máquina do tempo, para poupar tanto sofrimento.
Eu queria ter uma cabana, com gelo no teto e árvores em volta.
Eu queria nem saber o que é dinheiro.
Eu queria ser tipo um cara conquistador.
Eu queria ter a certeza que conquistadores são felizes.
Eu queria saber cantar.
Eu queria ser tipo um viajante.
Eu queria acordar com um grande café da manhã na minha cama.
Eu queria registrar aquele sorriso naquele dia para sempre.
Eu queria poder saber o que será do meu povo amanhã.
Eu queria poder saber por que ela não conseguiu ficar ao meu lado.
Eu queria saber a fórmula de um grande sucesso.
Eu queria saber por que a fórmula do fracasso é agradar todo mundo.
Eu queria ter um robozinho daqueles de plástico que minha mãe me dava em datas especiais.
Eu queria ver meu pai chegando e fingir que estava dormindo novamente.
Eu queria saber dizer mais coisas agradáveis.
Eu queria que todos comemorassem o natal de verdade.
Eu queria um dia poder voar como um pássaro.
Eu queria ser tipo uma frota contra o mal.
Eu queria saber o que é o mal.
Eu queria ser tipo um cara em que as idéias valessem algo.
Eu queria ser tipo um cara que deixou algo pra alguém.
Eu queria poder mostrar aquele momento em que o menino dividiu o pão velho que comia com todo mundo numa viela.
Eu queria poder entender como os engravatados podem comer numa mesa onde o almoço é mais caro que o salário da maioria de brasileiros e mesmo assim dormem tranqüilos.
Eu queria ser tipo um cara ingênuo, a ponto de acreditar em Papai Noel, Duendes e na polícia.
Eu queria ser tipo um cara sem insônia, sem gastrite, sem dores tão fortes na alma.
Eu acho que ainda queria ser só um desenhista.
Eu acho que ainda queria ser só alguém num mundo legal.
Eu acho que ainda queria ser aquele menino que não via as coisas como elas eram.
Eu acho que ainda queria ser aquele chato que sempre levantava a mão primeiro na hora das perguntas.
Eu acho que ainda queria ser mais um da turma.
Eu acho que ainda queria brincar de banca de gibis com minha irmã.
Eu acho que ainda queria ser aquele menino que andava de banca em banca procurando aventuras em quadrinhos.
Eu acho que ainda queria ter a esperança boba de achar que poderia fazer a diferença nessa bagunça de mundo.
Eu acho que vou dormir e também acho que, amanhã bem cedo, Eu também acho que amanhã bem cedo vou procurar realizar pelo menos algo disso tudo, e você o que acha?
Ferréz

Dica da Dhelre Ryanne Lima Moraes.

Links: Escritor Ferréz


Supersticiosa, eu?

Que tal um conto 'sobrenatural' para o Halloween?


O turno da noite me faz pensar. Fico aqui sozinha e acabo matutando em como minha vida poderia ser diferente. Afinal, eu já tenho dezenove anos! Por que estou aqui sentada atrás do balcão deste hotel? Eu deveria estar descobrindo o mundo. Já estamos em 1968 e nos dias de hoje uma garota pode fazer mais do que apenas se casar e ter um punhado de filhos.

A neblina está cada vez mais densa lá fora. Quando cruzei o "caminho das velhinhas" (todo mundo com menos de vinte anos o chama assim, mesmo que seu nome oficial seja "caminho da igreja") já estava bem difícil de enxergar e, como sempre, eu achei ter visto alguém espreitando entre os arbustos. Mas, foi só impressão minha.

Acho que vi um vulto na porta de vidro, onde está o porteiro quando preciso dele? É por isto que eu detesto ficar aqui a esta hora. Puxa, era só o Antônio da contabilidade. Só não sei o que ele está fazendo aqui, afinal o hotel é da família dele e, portanto, ele não precisa fazer horas extras.

Dizem que era dele o buquê que recebi no meu aniversário, mas não havia nome no cartão e prefiro acreditar que foi outra pessoa. Minha mãe o consideraria um ótimo partido, mas ele me dá arrepios. Provavelmente pelo fato de sua última namorada, a Maristela, que, era a recepcionista aqui há uns dois anos, ter se suicidado. A garota ter se atirado de uma das janelas do terceiro andar do hotel na véspera do noivado deles certamente não é um bom sinal.

Bem, vou pegar um livro da estante de achados e perdidos para me distrair. Opa, sou tão desastrada que ao puxar um livro da prateleira de cima, derrubei outro. Ao juntar o livro, que caiu aberto na primeira folha, percebi um nome rabiscado com letras bem desenhadas na primeira folha. “Deve ser o nome do antigo dono.”, pensei e então li: “Maristela Farias”.

Certo, foi só uma coincidência o livro da garota morta, cujo namorado provavelmente me mandou flores, ter caído na minha cabeça. Não acredito nestas coisas, sou uma garota moderna. Mas como perdi totalmente a vontade de ler, o que vou fazer para passar o tempo? Ainda são sete e meia, e eu só saio às dez.

Perfeito, acabou a luz. Vou dormir aqui sentada. Socorro, alguém segurou meu braço! Agora é o momento em que eu deixo de ser uma garota moderna e grito pela minha mãe? Ufa, era só o porteiro e ele pediu para eu subir e levar uma lanterna e fusíveis para o Antônio dar um jeito na luz, enquanto ele cuida de recepção para mim.

Segundo o porteiro, como o cofre fica lá em cima, ele não tem autorização para subir (por estar armado), mas eu acho que ele está com medo. Todas as camareiras dizem que o terceiro andar é assombrado pela avó do Antônio, que morreu aqui há uns dez anos. Sem falar da Maristela. Mas por que fui me lembrar de tudo isto logo agora?

Cansei, quantos degraus! E por que as cortinas estão balançando tanto aqui em cima? Não me lembro de estar ventando lá fora. Vejo uma luz pela fresta da porta da contabilidade, o que significa que o Antônio já tem uma lanterna. Mas se ele está lá, de quem são estes passos atrás de mim. E que mão gelada é essa que segurou o meu pulso? Acho que vou desmaiar.

Não há nada aqui, mas eu juro ter ouvido um "Vá embora", sussurrado por uma voz feminina, ao mesmo tempo em que a lanterna que eu trouxe apagou. Talvez eu esteja alucinando, mas mesmo assim melhor eu sumir daqui. Não que eu seja supersticiosa, mas para que arriscar?

Talvez eu não desça. Não gostei nenhum pouco de uma sombra parada no meio do corredor, bem no caminho para a escada. E agora? A porta do arquivo morto (nome sugestivo, não?) escancarou-se de repente e uma rajada de vento gelado invadiu o corredor espalhando uma fina película de névoa pelo ambiente. Dei um passo para trás, enquanto a sombra se aproximava lentamente.

Dedos gélidos tocaram no meu braço novamente. "Está vindo atrás de você", murmurou a voz. Sem pensar, atravessei o corredor o mais rápido que pude e entrei na sala da contabilidade. Havia uma vela acessa sobre a mesa, mas o lugar estava vazio. Caminhei até a janela e só pude ver a massa acinzentada de neblina que cercava o prédio.

Subitamente o reflexo de uma garota loira e com o rosto coberto de sangue apareceu no vidro ao meu lado. Virei num pulo, mas não havia nada ali, eu continuava sozinha. A porta do banheiro abriu lentamente com um rangido e eu respirei aliviada. "Antonio, que bom que você está aí.", exclamei.

Mas não era o Antônio que acabara de sair do banheiro. Na minha frente, estava uma mulher grisalha, enrugada e transparente. A avó de Antônio, eu a reconheci de uma foto da recepção. O grito ficou preso na minha garganta, enquanto eu não podia acreditar no que eu estava vendo. “Só posso estar sonhando!”, conclui.

“Não vou deixar que você repita o que fez comigo”, disse a voz que eu ouvira antes. Com o canto dos olhos, avistei uma jovem loira, ensanguentada e tremeluzente a minha direita. A velha não pareceu preocupada com a ameaça e esboçou um sorriso assustador. As duas pareciam prestes a se atacar, quando a porta do corredor se abriu e ambas desapareceram.

“Ah, você está aqui”, exclamou Antônio. Apenas sacudi a cabeça afirmativamente. “Trouxe os fusíveis?”, perguntou ele. Mas antes que eu pudesse responder, arregalei os olhos ao perceber uma mão pálida tombar a vela que estava sobre a mesa.

Rapidamente, o fogo se espalhou pelos papéis e logo alcançou o chão se espalhando pela sala. Dei um passo para trás, para me afastar das labaredas que tomavam tudo ao meu redor e senti duas mãos sobre o meu peito. No instante seguinte, um empurrão violento me jogou para trás, atravessei a janela e despenquei rodeada por cacos de vidro.

Abri os olhos assustada. “Ainda estou viva?”, pensei. Então, percebi que estava sentada na minha cadeira da recepção, no escuro. “A luz acabou e eu peguei no sono, foi isto.” Fechei os olhos e soltei um longo suspiro de alívio. Ao abri-los novamente, um rosto coberto de sangue me encarava. Coloquei a mão na boca para conter um grito, enquanto a jovem loira falava “Vá embora.”

Sem hesitar, levantei e chamei um táxi.

Aparição do Saci?

Expectativa:

Realidade (ou não!):

Dia do Saci-Pererê



Hoje, 31 de Outubro, é o dia do Saci-Pererê, um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro. Ele provavelmente surgiu entre povos indígenas da região Sul do Brasil, ainda durante o período colonial (possivelmente no final do século XVIII). Nesta época, era representado por um menino indígena de cor morena e com um rabo, que vivia aprontando travessuras na floresta.

Porém, ao migrar para o norte do país, o mito e o personagem sofreram modificações ao receberem influências da cultura africana. O saci transformou-se num  jovem negro com apenas uma perna, pois, de acordo com o mito, havia perdido a outra numa luta de capoeira. Passou a ser representado usando um gorro vermelho e um cachimbo, típico da cultura africana. Até os dias atuais ele é representado desta forma.

O comportamento é a marca registrada deste personagem folclórico. Muito divertido e brincalhão, o saci passa todo tempo aprontando travessuras na matas e nas casas. Assusta viajantes, esconde objetos domésticos, emite ruídos, assusta cavalos e bois no pasto etc. Apesar das brincadeiras, não pratica atitudes com o objetivo de prejudicar alguém ou fazer o mal.

Diz o mito que ele se desloca dentro de redemoinhos de vento, e para captura-lo é necessário jogar uma peneira sobre ele. Após o feito, deve-se tirar o gorro e prender o saci dentro de uma garrafa. Somente desta forma ele irá obedecer seu “proprietário”.

Mas, de acordo com o mito, o saci não é voltado apenas para brincadeiras. Ele é um importante conhecedor das ervas da floresta, da fabricação de chás e medicamentos feitos com plantas. Ele controla e guarda os segredos e todos estes conhecimentos. Aqueles que penetram nas florestas em busca destas ervas, devem, de acordo com a mitologia, pedir sua autorização. Caso contrário, se transformará em mais uma vítima de suas travessuras.

A crença neste personagem ainda é muito forte na região interior do Brasil. Em volta das fogueiras, os mais velhos contam suas experiências com o saci aos mais novos. E o personagem chegou aos grandes centros urbanos através da literatura, da televisão e das histórias em quadrinhos.

Quem primeiro retratou o personagem, de forma brilhante na literatura infantil, foi o escritor Monteiro Lobato. Nas histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo, o saci aparece constantemente. Ele vive aprontando com os personagens do sítio. A lenda se espalhou por todo o Brasil quando as histórias de Monteiro Lobato ganharam as telas da televisão, transformando-se em seriado, transmitido no começo da década de 1950. O saci também aparece em várias momentos das histórias em quadrinhos do personagem Chico Bento, de Maurício de Souza.

E com o objetivo de valorizar o folclore nacional e diminuir  a influência do cultura norte-americana (Halloween) em nosso país foi criado em caráter nacional, em 2005, o Dia do Saci, no dia 31 de outubro.

Fonte: Sua pesquisa - Saci-pererê
Link: Bresil coolturel - Saci-perere